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Tecnologia: fomento às startups e novos investimentos no radar

By 26 de dezembro de 2018 No Comments

Atrair investimentos públicos e privados, fomentar as startups, ampliar a estrutura atual e apostar fortemente na formação de mão de obra, com o estímulo através da educação: esses são alguns dos objetivos que estão no radar do Serratec para 2019. Para que tudo isso seja possível, o primeiro passo está sendo dado: a formalização da entidade, que facilitara a possibilidade de novos negócios. Em entrevista ao Diário, a diretoria do grupo falou sobre a organização e os projetos para o próximo ano.

De acordo com o presidente da empresa K-Tec, Jonny Klemperer, a formalização é importante para que novas ações possam ser desenvolvidas.

– O que nós temos tido de problemas ultimamente é por não ter um CNPJ. Ou seja: nós temos um movimento de tecnologia orquestrado e sintonizado desde o início do século, mas no momento de fazer as negociações para o aporte de recursos nas esferas estadual e federal, temos recorrido à Fundação de Amparo à Computação Científica, ligada ao LNCC, que é a âncora do movimento desde o começo. Só que existem limitações dentro da fundação do LNCC que não permitem operacionalizar todos os aportes que nós gostaríamos, principalmente na esfera privada. Por isso, decidimos criar o CNPJ, com uma associação formada por membros que compuseram o Conselho Gestor do Serratec até hoje – explicou.

A transformação do movimento Serratec em associação permite, também, um peso maior para pleitear recursos junto ao setor público.

– Com a união de todas as cidades e o CNPJ, nós seremos vistos com um peso muito maior do que se fosse só um município. Desde 2015, os governos estadual e federal estão falidos, mas a perspectiva é de que isso mude a partir do ano que vem, e aí o nosso discurso também vai mudar – diz Jonny Klemperer.

Incentivo às startups

Para o empresário Alexandre Macedo, da empresa Info4, que será o vice-presidente do Serratec, a formalização é de extrema importância para as ações que estão sendo planejadas.

– Caminhamos muito nos últimos oito anos. Agora, estamos expandindo os horizontes, seja com ações como a formalização da instituição, que abre uma série de possibilidades de investimentos, facilitando os processos. Estamos capitaneando várias iniciativas interessantes, como o hackathon, realizado em parceria do Sebrae, além de outras pautas e parcerias com grandes empresas – disse Macedo.

O incentivo às startups – empresas com custo de manutenção baixo, mas potencial de negócio em grande escala – é uma das principais iniciativas previstas. Cinco empresas deste tipo, que foram selecionadas pela quarta edição do programa Startup Rio, começam a funcionar no Serratec a partir de fevereiro. Outro esforço é o investimento firme na educação, para fomentar a tecnologia desde o ensino básico.

“A tendência é que a maior parte das escolas privadas incorpore a tecnologia no currículo, e o ensino público terá que seguir a tendência” – Alexandre Macedo, empresário

– Estamos conversando com as instituições de ensino da cidade. Recentemente, tivemos o advento de escolas importantes que vieram para a cidade, como a Happy Code, maior franquia de ensino de informática para crianças, e outras escolas estão nessa linha. A tendência é que a maior parte das escolas privadas incorpore essas matérias no currículo normal, e o ensino público vai ser obrigado a incorporar esse movimento – destacou Macedo.

Ainda no campo da educação, outro flanco das empresas é o patrocínio de iniciativas da área, de acordo com George Paiva, gerente sênior de Recursos Humanos para a América Latina da Orange Business Services.

– Mesmo sem ter uma estrutura jurídica formada, o Serratec já patrocina uma série de iniciativas, como o apoio aos alunos de robótica da Faeterj e a primeira edição do TEDxPetrópolis (evento independente que traz palestras com o objetivo de divulgar ideias que contribuam para o dia a dia e o futuro da cidade). Temos uma atuação que vai além da articulação empresarial – disse.

Um mercado em desenvolvimento

Em Petrópolis, há cerca de 2 mil funcionários atuando na área da tecnologia, sendo 600 no núcleo localizado no Quitandinha e outros 1,4 mil espalhados em empresas dos cinco distritos.

– A tecnologia da informação e a biotecnologia têm em Petrópolis mão de obra disponível de excelente qualidade, que se qualificava e saía do município. As cabeças pensantes do município eram exportadas gratuitamente porque não tinham oportunidades. Isso foi reconhecido e, agora, as empresas estão contratando e segurando a mão de obra qualificada na cidade, revertendo um processo de esvaziamento sistemático – lembrou.

O empresário destacou, ainda, o modelo do polo tecnológico de Petrópolis – toda empresa do setor que se instala na cidade recebe incentivos.

– Em Petrópolis, há uma ideia inovadora, que é não ser um parque tecnológico fechado, como em São José dos Campos, por exemplo, onde há um terreno e ali funciona o centro de tecnologia. Aqui, a cidade inteira está aberta com incentivos fiscais para empresas de tecnologia, em todos os distritos.  A tecnologia está no DNA de Petrópolis desde o tempo em que era cidade de veraneio de Dom Pedro II, um entusiasta da tecnologia como elo de desenvolvimento absolutamente necessário. De lá pra cá, a tecnologia avançou, mas o conceito continua o mesmo – disse Jonny Klemperer.

O Serratec será presidido pelo empresário Marcelo Carius, da Neki IT, e a diretoria também será composta pelo diretor do LNCC, Augusto Gadelha.

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