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Supercomputador do LNCC estará entre os cem maiores do mundo

By 8 de setembro de 2014 No Comments

 

A maior capacidade de processamento, armazenamento e transferência de dados, faz do supercomputador, que deve chegar no ano que vem a Petrópolis, o mais potente da América do Sul e um dos 100 maiores do mundo.A previsão é de que o contrato entre a empresa francesa Bull e o Ministério de Ciência e Tecnologia seja assinado ainda este mês. O valor do supercomputador é de R$ 60 milhões e ele será instalado no Laboratório Nacional de Computação Científica, no Quitandinha (LNCC). A iniciativa deve atrair mais empresas do setor de tecnologia para a cidade, a começar pela própria Bull que vai instalar aqui um Centro de Pesquisas.

 

Para o professor Pedro Leite, diretor do LNCC, a vinda do supercomputador para a cidade é muito importante. “Há alguns anos fizemos o cálculo de que seria necessário um computador com uma capacidade mil vezes maior do que a que temos hoje (1 teraflop)”, comentou ele, informando que oque deve chegar no ano que vem tem um petaflop de velocidade. Ele também afirmou que na Europa e nos Estados Unidos a capacidade já é de um hexaflop, o que no Brasil só deve chegar em 2020. Pedro Leite revelou ainda que o supercomputador brasileiro tem uma capacidade 60% maior que o da Petrobras, por exemplo. “Nossa meta é chegar aos top 20”, disse ele, destacando que o Brasil ainda está muito atrasado nesse sentido, mas que o supercomputador vai ajudar a colocar o país em um cenário mais competitivo.

 

O professor explicou que o Ministério de Ciência e Tecnologia estabeleceu algumas condicionantes para adquirir a máquina. Uma delas é que a compra e a instalação fossem feitas pela mesma empresa, que também teria que se comprometer a abrir no país um Centro de Aplicações para atender as necessidades dele e um Centro de Pesquisas, em um prazo de 5 anos. “A ideia é criar um ecossistema sólido para fazer o uso eficiente da computação de alto desempenho”, declarou. Ele acredita que o Centro de Pesquisas vai atrair, naturalmente, outras empresas para a cidade, inclusive na área de petróleo e engenharia. Uma das prioridades desse centro, segundo Leite, é o tratamento de banco de dados. O diretor do LNCC prevê uma nova era a partir de 2015, com a instalação do supercomputador, funcionamento da Rede Metropolitana de Alto Desempenho e a vinda da UFF. “Temos uma responsabilidade enorme para que o processo tenha sucesso”, disse ele, ressaltando que as novas conquistas só funcionaram por causa da parceria dos três níveis de governo e reforçou também a importância da lei de incentivo que a prefeitura dá a empresas de tecnologia que, segundo ele, é um grande atrativo.

 

O LNCC, é uma instituição vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia que desenvolve projetos nas áreas de biologia, petróleo, gás e medicina. Ao todo, 320 pessoas, entre pesquisadores, tecnologistas, prestadores de serviço, contratados por projetos, bolsistas e alunos de pós graduação no programa de modelagem computacional, mais equipe de administração e limpeza, trabalham no local. Referência no Brasil, o LNCC tem como objetivo prover sistemas de computação que atendam a demanda de médicos, cientistas e empresas em geral. Composto por 7 laboratórios principais, ele trabalha com modelagens moleculares, aplicações em bioinformática, em segurança da informação e em modelagens de dados.

 

O professor explicou que o laboratório utiliza a observação de um fenômeno e a percepção ou abstração dele, para trasformá-lo em um modelo matemático, seguido de uma análise mais profunda deste modelo e a partir daí é criada uma metodologia de solução. “A missão do LNCC é realizar pesquisas, desenvolvimento e formação de recursos humanos em computação científica, em especial na construção de aplicação de modelos matemáticos e computacionais na solução de problemas científicos e tecnológicos”, disse ele, acrescentando que a instituição também disponibiliza o ambiente computacional para processamento de alto desempenho, tendo como finalidades o avanço do conhecimento e o atendimento às demandas da sociedade e do país.

 

O laboratório se instalou em Petrópolis em 1998. Segundo Pedro Leite, a iniciativa fazia parte de uma estratégia de promover a interiorização dos institutos de pesquisa. Além disso, ele afirmou que já havia um interesse tanto do estado do Rio de Janeiro quanto da cidade para desenvolver a área tecnológica e atrair empresas de tecnologia, não poluentes. “A instalação do LNCC no Quitandinha é o ingrediente fundamental para o desenvolvimento de tecnologias modernas. A cidade já conta com empresas de altíssima qualidade, como a Ge Celma, a Carl Zeiss e a Microsoft. A instituição contribuiu para o estabelecimento da competência tecnológica do município”, destacou. Pedro ressaltou que para desenvolver ainda mais o setor na cidade estava faltando uma universidade pública. “Com a vinda da Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2015, o município vai viver um marco no sentido de fortalecer a personalidade tecnológica”, acredita. Para ele, as universidades públicas são mais fortes na área de pesquisa, o que é fundamental. “Sem contar que vai formar mão de obra especializada e vai gerar um efeito positivo nas universidades privadas. Também deve impactar na melhoria dos ensinos básico e médio”, disse. Sobre a mão de obra especializada, ele disse que este é um grande problema vivido no país. “Temos uma capacidade limitada de formação de pessoas. Se não temos um bom nível de educação básica e no ensino médio, não formamos bons profissionais”, observou.

 

Cidade passa a ter rede de alta velocidade

 

A partir de quarta-feira, Petrópolis passa a contar com a Rede Metropolitana de Internet de alta velocidade. O investimento de R$ 350 mil em 20 quilômetros de rede óptica, faz parte da fase de expansão do programa Redecomep – fase 2, que visa à criação de redes de alta velocidade para colaboração entre instituições de pesquisa em cidades do interior do país.

 

A inauguração vai acontecer às 10h, no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), com a presença do diretor-substituto da instituição, Alexandre Grojsgold, e autoridades como o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo, e o secretário municipal de Ciência e Tecnologia,Airton Coelho Vieira Junior, além de diretores da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e instituições de ensino como a Universidade Católica de Petrópolis (UCP).

A rede metropolitana constitui um patrimônio de alto valor, fruto da aplicação de recursos públicos para apoio ao desenvolvimento do sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação. Insere o país no cenário mundial de experimentação de redes ópticas de alto desempenho, oferecendo condições de igualdade aos pesquisadores brasileiros em projetos colaborativos internacionais.

 

O LNCC teve um papel fundamental para a viabilização do projeto, por meio da articulação com a RNPe demais organizações. Atualmente, é a instituição responsável por toda a administração da rede metropolitana.

 

A Prefeitura Municipal de Petrópolis também foi um órgão de importante atuação neste processo, principalmente no que diz respeito à liberação de uso da infraestrutura existente na cidade (postes) para a implantação da nova rede.

 

Além do LNCC, da UCP e da Prefeitura, também compõem a Rede Metropolitana de Petrópolis, o Centro Federal de Educação Celso Suckow (CEFET), a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Museu Imperial.

 

A Redecomep Petrópolis representa o desafio de expandir a infraestrutura de redes avançadas na cidade, uma oportunidade de contribuir com a democratização do acesso à informação e ao conhecimento. Também permite o desenvolvimento de pesquisas científicas, a integração entre universidades e unidades de pesquisa, e a troca de informações.

 

A instalação da Rede Metropolitana é uma parceria entre a Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep), dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC), coordenada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), com o apoio da Agência Brasileira de Inovação Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

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