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Polo tecnológico gera mais de mil empregos

By 4 de agosto de 2014 No Comments

 

Polo Tecnológico da Região Serrana emprega, atualmente, mais de mil pessoas e R$700 milhões engloba o faturamento anual de Petrópolis e Teresópolis.  A Alterdata em Teresópolis agrega ao PTRS com R$100 milhões ao ano.. Ao todo são mais de 60 empresas de pequeno, médio e grande porte que atuam em áreas de biotecnologia, desenvolvimento de software e telecomunicações instaladas na cidade. Apenas no Polo, localizado no Quitandinha, 12 empresas estão situadas. O espaço, de cerca de 3 mil metros quadrados, conta com mais de 500 colaboradores e possui uma remuneração acima do salário médio que é oferecido na cidade.

 

 

Segundo Jonny Klemperer, coordenador do Polo Tecnológico, o movimento para a instalação do parque teve início em 1998, quando a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) realizou um mapeamento junto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para identificar as potencialidades de diversas regiões do estado do Rio. O levantamento tinha como objetivo formatar projetos alinhavados de acordo com o resultado do mapeamento. Neste momento, Jonny explicou que Petrópolis se destacou em duas áreas: Turismo e Criação de um Polo de Alta Tecnologia.

 

Em seguida, foi criado o Movimento Petrópolis-Tecnópolis que, desde o início deste ano, passou a se chamar Parque Tecnológico da Região Serrana, para abranger cidades como Nova Friburgo e Teresópolis. O objetivo desde o início, segundo Jonny, é o de formar um expertise que cria condições essenciais para atrair empresas de alta tecnologia (que não poluem). “O movimento foi viabilizado no início da década de 2000 devido à existência e apoio do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) naquela época dirigido pelo ex-ministro Marco Antonio Raupp. Até hoje o Laboratório é a âncora institucional do Polo Tecnológico e do indispensável apoio institucional e financeiro da Firjan durante 10 anos.

 

A primeira organização a se instalar na cidade por meio do Polo Tecnológico foi o Grupo Allen é parceira/gestora do Microsoft Innovation Center. Mas, Jonny explicou que a empresa cresceu e acabou precisando de um local maior. Hoje, ela atua no Valparaíso e emprega mais de 400 pessoas. “Nós atuamos como facilitadores para o crescimento das empresas.Já na cidade ajudamos a oxigenar a economia, uma vez que, as pessoas empregadas no Polo gastam com transporte, alimentação e lazer”, comentou Jonny.

 

Depois foram chegando organizações como a Test to Market (T2M) com cerca de 20 colaboradores (em crescimento) que atuam na área de testes de software. Em seguida foi a vez da Ex- cellion se instalar no local. Especializadas na área de biomedicina e manipulação de células-tronco, ela emprega 35 pessoas. Já a instalação da Orange, para o coordenador, foi um grande salto para o Polo em termos de visibilidade. A empresa conta com 300 colaboradores e atua como 5º Centro Mundial do Grupo France-Telecom, de suporte técnico na área de telecomunicações para empresas sediadas nas 3 Américas e parte da Europa e África.

 

Ele lembrou ainda que a GE Celma também é membro do Parque Tecnológico, mas chegou antes na cidade. A empresa emprega 1.400 colaboradores e movimenta R$ 1 bilhão por ano.

 

Um dos grandes diferenciais do Polo, segundo Jonny, é que ele é aberto. “Não temos um único lugar físico definido,  compreendendo também os Tecnopolos de outras cidades da Região Serrana. Além disso, em Petrópolis também contamos com o Núcleo Empresarial do Valparaíso (NEV), representado pela Allen, o Núcleo Acadêmico do Quitandinha, representado pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e o Núcleo Acadêmico do Valparaiso/NAV, que está localizado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Já em Teresópolis, existe o Núcleo Empresarial representado pela Alterdata (empresa que nasceu em Petrópolis) com mais de mil colaboradores. “Estamos caminhando para ampliar esses núcleos (tanto empresariais, como acadêmicos) em Teresópolis e Nova Friburgo, o que deve acontecer em 2015. Temos um desafio pela frente de consolidar o ideal que idealizamos desde o início. Se conseguirmos atrair para cá braços da IBM e de outras empresas grandes aí sim estaremos realizados. Mas, elas só virão se houver mão de obra suficiente para atendê-las. Esse é o nosso dever de casa”, disse.

 

Por meio do Polo Tecnológico, as empresas conseguem benefícios como redução ou isenção de IPTU e ISS, baseado em uma lei municipal de incentivos fiscais.

 

O núcleo conta ainda com a Info4, que trabalha na área de clipping eletrônico e tem cerca de 100 colaboradores. A Sankhya, que atua na área de software para gestão de negócios e tem 10 colaboradores e a WebApplication, que trabalha com software embarcado e conta  com 5 colaboradores.

Empresas ainda encontram problemas estruturais como internet de má qualidade e energia instável, apesar da AMPLA estar melhorando seus serviços ano a ano (principalmente no que tange ao atendimento do Núcleo Empresarial do Quitandinha), sem no entanto abranger a cidade como um todo.

 Problemas com relação à mão de obra qualificada, internet de má qualidade e energia  elétrica fazem com que muitas  empresas não queiram se  instalar em Petrópolis. “Precisamos  de mais respaldo de  infraestrutura. Nossa internet  não atende a empresas de alta  tecnologia e isso é mortal”, comentou.  No Polo, as empresas  estão contando com suporte da  Embratel e com internet por meio de fibra ótica. “ Resolvemos o nosso problema, mas e  os outros?”, questionou.

 

Para sanar as constantes quedas de energia, ele contou que as empresas grandes tiveram  que adquirir geradores e, o Polo  comprou um para atender as menores.  “Já melhorou muito, mas ainda não atende por completo”.

 

Ele lembrou que, em uma ocasião, a empresa paulista Autômatus, que empregava 80  pessoas, resolveu se instalar  em Araras e ficou encantada  com o local. Porém, não  durou muito. “Tiveram que sair porque não conseguiram resolver a questão da internet  e da energia elétrica”.

 

Outro ponto ressaltado pelo coordenador é o acesso para quem vem do Rio de Janeiro.  A esperança para ele, é que a nova pista de subida da serra resolva esse problema.

 

Além disso, ele cita a falta de terrenos ou prédios que pertençam ao governo municipal  para serem colocados à  disposição das empresas que  querem se instalar na cidade.

 

Já a vinda de um campus da Universidade Federal Fluminense é considerada uma conquista para quem trabalha na área de tecnologia. “Vamos formar a mão de obra qualificada que precisamos e esta é uma forma de atrair mais empresas e também de atender as que já estão na cidade. Precisamos parar de exportar gratuitamente os bons profissionais que possuímos e a única maneira é atraindo  empresas que absorvam toda  a mão de obra”, disse Jonny,  destacando que uma das maiores dificuldades hoje vivenciada pelos empresários é com  relação a recursos humanos.

 

Outra conquista, segundo Jonny, foi à criação da  Secretaria de Ciência e Tecnologia.  “O prefeito Rubens Bomtempo, desde o início do seu primeiro mandato em 2001, sempre apoiou o movimento e o atual secretário, Airton Coelho, também é um dos fundadores.

Setor oferece salários considerados altos para a região, mas esbarra na falta de mão de obra qualificada

Tiago Ferreira é gerente de operações da Provider It e listou algumas dificuldades encontradas na cidade. A empresa, que atua no Polo Tecnológico há dois anos, com desenvolvimento de software gerencial nas áreas de saúde e bancária, emprega 30 colaboradores. A faixa etária varia de 20 a 52 anos. Já o salário é entre R$ 2 e R$ 3 mil.

Ele disse que a empresa passou por três lugares antes de se estabelecer no Quitandinha. “Começamos no Roseiral, depois fomos para o Centro e, por último, para o Alto da Serra. Em cada um desses locais, encontramos problemas diferentes e, por isso, optamos pelo Polo Tecnológico, onde temos uma infraestrutura melhor, espaço para estacionamento e segurança”, disse.

A conexão, ele disse que também era complicada, porque havia poucas opções, uma delas é a Velox que, segundo ele, não é uma opção empresarial. “Agora temos alternativas, mas ainda não existe uma de qualidade. A que usamos hoje atende, mas ainda temos problema de instabilidade”.

Mas, para o gerente de operações, a mão de obra qualificada é a maior dificuldade vivida pela empresa. “Hoje não existe nenhuma universidade ou centro de pesquisa que capacitem os profissionais de acordo com o que é necessário no mercado. Com isso, nós precisamos formar e treinar as pessoas dentro das nossas necessidades”, comentou.

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