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Os avanços tecnológicos e o novo emprego

By 24 de junho de 2019 No Comments

A transformação digital que beneficia pessoas, empresas e o empreendedorismo não são apenas formas facilitar o desenvolvimento econômico. É bem mais do que isso. Estar atento à revolução tecnológica que hoje transforma o mundo está na pauta da totalidade dos governos em todo o mundo. Com as recentes novidades em Petrópolis, nessa área, um novo campo se abre para transformar não apenas a Cidade Imperial como também os municípios vizinhos num “Vale do Silício” na Região Serrana. No entanto, os desafios para concretizar esse sonho são muitos.

Empresários do setor de tecnologia voltaram a se reunir em tomo de um projeto, para tirar do papel o antigo desejo de implementar uma nova economia que ande paralelamente a outras iniciativas de negócios no município. O ponto de partida para isso é o Serratec, criada recentemente como uma instituição sem fins lucrativos, com o objetivo de reunir Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo para desenvolver ações dentro do arcabouço tecnológico. A expectativa de seus mantenedores é promover crescimento de até seis por cento nos próximos quatro anos. E a iniciativa deles já começou.

O primeiro projeto que está para sair do papel, através da iniciativa do Serratec é o de criar profissionais que trabalhem em rede, com o uso da linguagem Java. Numa parceria entre a Firjan, Faeterj e a instituição recém-criada o plano é não apenas formar trabalhadores que atuem na área de pesquisa e implementação de novos softwares. O ponto de partida indica a vontade da classe empresarial de atingir as metas de crescimento de uma área que fatura anualmente R$ 355 milhões.

Por outro lado, a vontade de criar no longo prazo uma versão tupiniquim do “Vale do Silício” (conceito dado a uma região situada na Baia de São Francisco, que reúne as principais empresas de alta tecnologia nos Estados Unidos) é ao mesmo tempo um sonho e uma batalha, que pode durar anos. No entanto, a semente está plantada em um contexto que gera inevitavelmente uma pergunta: A Região Serrana, ou melhor Petrópolis, está preparada para se tomar uma referência nacional na área da transformação digital?

Educação e infraestrutura: problemas a soluciona

A Tribuna procurou algumas respostas com pessoas e instituições bem-sucedidas em suas áreas, que acreditam estar em consonância com a ambição da classe empresarial e trabalhadora, na área da tecnologia. Os desafios são enormes e envolvem toda uma cadeia produtiva cujo cerne da questão está na educação.

Como, afinal, formar novos cérebros a partir de um plano de expansão que pode gerar muitos recursos financeiros e criar empregos com salários muito superiores à média nacional. Dados fornecidos pela Firjan revelam que a média salarial do trabalhador brasileiro fica em torno de R$ 2.200 reais, enquanto para aquele que produz no setor da tecnologia o salto é gigantesco: pode alcançar mais de R$ 9 mil reais.

De olho nesse nicho importante da economia local, o jornal foi ao Laboratório Nacional de Pesquisa Científica (LNCC) para saber quanto um dos espaços tecnológicos mais respeitados no mundo pode contribuir com isso. O diretor da instituição, Augusto Gadelha, explicou que todo o trabalho realizado na sede, no bairro Quitandinha, gera uma contribuição sem igual para a evolução da pesquisa científica no Brasil e no mundo, graças as parcerias realizadas com empresas de grande porte e diferentes setores do governo. Essa contribuição tem um valor inestimável, afirma Gadelha, que enumerou diversos pontos importantes que vão desde as pesquisas em parceria com a Fiocruz até a colaboração para enfrentar as consequências da tragédia das barragens em Minas Gerais. Tudo isso transforma a vida do país num caminho dominado pela alta tecnologia.

“O Brasil começa a perceber uma revolução, através da implementação da inteligência artificial e novas tecnologias que vão dominar o mundo nos próximos anos. Nós temos aqui no LNCC uma qualidade de dados enorme e que ajudam o país e até o exterior em suas pesquisas científicas”, explicou o diretor, que ao ser indagado sobre o quanto Petrópolis pode faturar com este trabalho e na transformação digital, deu a dica com uma só palavra: educação. Para ele, o município é uma cidade agradável, tranquila e não muito distante do Rio de Janeiro, em uma soma de fatores que, associada a investimentos em infraestrutura e educação, pode se tornar em alguns anos um mercado atraente que venha a reunir mais empresas do setor de tecnologia. “A cidade tem qualidade de vida e bons recursos humanos, mas precisa formar mais profissionais para trabalhar com as novidades que não param de surgir no mercado”, complementou.

Para que o sonho do “Vale do Silício” se torne uma realidade, porém, é preciso concentrar em melhorias na área educacional. É o que pensa o ex-secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Ailton Coelho, que vê o sonho petropolitano de liderar essa arrancada na transformação digital um pouco distante. Segundo ele, a cidade ainda não está preparada para dar conta dos empregos necessários no campo da alta tecnologia. Professor universitário há 18 anos e especialista na área de cyber segurança, Coelho defende aprimoramento científico na formação dos cérebros que poderiam comandar a arrancada o desejo de uma região avançada tecnologicamente.

“O abismo entre a necessidade do mercado e a formação dos jovens talentos ainda é grande. A evolução tecnológica é muito rápida e não sei se estamos preparados, de fato, para absorver a mão-de-obra que sai das universidades para atender a demanda do mercado”, explicou o hoje empresário. “O aluno se forma na faculdade, mas em diversos casos as empresas precisam investir no aprimoramento de seus conhecimentos. E quando o capacita, uma outra empresa vai lá e o contrata. Gostaria de ver um campus universitário investindo em pesquisas. Essa lacuna na graduação é um problema”, acrescentou. Ainda de acordo com ele, Petrópolis deveria se ater a três pilares básicos para pensar em se tomar um local atraente para as atuais e novas empresas que queiram vir para cá: a infraestrutura, qualidade de vida e a mão-de-obra.

Mais otimista, o especialista em Recursos Humanos, George Paiva, aponta Petrópolis para um caminho certo em sua busca para se tomar um município reconhecidamente propício para acolher investimentos na área da tecnologia. Na sua opinião), a cidade está no caminho certo, embora acredite que até se transformar em uma região digital e evoluída tecnologicamente é uma longa estrada a se percorrer. No entanto, destacou a criarão do Serratec, que pode ser um pontapé inicial ao sonho alimentado por empresários e apaixonados pelo setor. “Aqui já começamos a criar as condições para sermos um local que pode participar desse processo de evolução digital.

A lei de Inovação, aliada as universidades, escolas técnicas e empresas aqui já instaladas podem ser o início em direção à concretização do sonho. Há um caminho longo a ser percorrido, o tempo será enorme, mas já começamos a preparar essas condições de desenvolvimento”, ressaltou George, exemplificando o primeiro projeto em desenvolvimento em parceria da Firjan e órgãos locais. Lembrou, por exemplo, que aqui já existem profissionais especializados em várias áreas da tecnologia, com negócios em destaque como a Atos, Orange, Info 4, Mec e tantas outras que apostam na força de Petrópolis para atuar em conjunto com Teresópolis e Nova Friburgo. A transformação digital pode alavancar nos próximos anos investimentos altos que certamente impactarão na economia local. O economista Marcelo Sistowsky, por exemplo, afirma que Petrópolis tem vocação para a área da tecnologia e que o município, de uma forma geral, só tem a ganhar com um projeto de desenvolvimento de empresas e mão-de-obra, já que são questões importantes no pagamento de salários altos. Contudo, chamou a atenção para os gargalos que podem atrapalhar os planos. “Para a economia, os planos do setor de tecnologia darem certo é excelente para toda a cidade. Aumentará o valor médio dos salários e a economia local só tem a ganhar com isso. Mas, é preciso estar atento aos problemas como a mão de obra, a criação de uma mentalidade empreendedora que impulsionará investimentos.

Só que o acesso à internet, o valor dos aluguéis e a participação das universidades se tornam essenciais para que tudo dê certo, que possamos atrair até os enormes conglomerados de alta tecnologia. É possível tornar o sonho do Vale do Silício regional. Só que há muito o que se fazer no curto, médio e longo prazos para que tudo dê certo.

 

fonte: Tribuna de Petrópolis

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