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Orange pode estrear em telefonia móvel no Brasil em 2016

By 9 de junho de 2015 No Comments

 

A Orange Business Services, braço da operadora Orange, controlada pela France Telecom, ensaia os primeiros passos para oferecer serviços de telefonia móvel no Brasil. O projeto está em análise por uma equipe da companhia e, por enquanto, a meta é atender somente os usuários da operadora Orange que vierem ao Brasil a partir dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

O que está em estudo é obter uma licença de operadora móvel de rede virtual (MVNO, na sigla em inglês). Por esse modelo, a unidade empresarial que já está presente no Brasil faria acordo para prestar seus serviços sobre a rede de outra operadora de serviços móveis.

Para isso, a Orange Business Services precisa obter uma licença de MVNO da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Já houve conversas com uma Mobile Virtual Network Enabler (MVNE), empresa que funciona como uma espécie de intermediária entre a empresa que quer usar a rede e a dona da infraestrutura, mas não foram revelados nomes.

Além de decidir se entra nesse novo jogo, a Orange considera também se prestará o serviço apenas durante a Olimpíada ou de forma contínua.

Pode ser o começo de uma mudança importante para a operadora voltada ao segmento empresarial que mantém 600 funcionários na América Latina, mais da metade dos quais no Brasil. A equipe, formada por técnicos e área administrativa, está concentrada em Petrópolis, no Rio de Janeiro, em um dos cinco maiores centros de serviços da companhia, presente em 32 países. A empresa integra sistemas de tecnologia da informação e desenvolve aplicações.

Em 2008, a Orange e a Universidade Católica de Petrópolis assinaram um acordo, ainda em vigor, para preparar os alunos para o mercado de trabalho. “Os jovens talentos que contratamos em Petrópolis são uma força real do país. Por isso, implantamos o centro de serviços no Rio, não em outra cidade da América Latina”, disse Helmut Reisinger, vice-presidente-executivo internacional da Orange Business Services, em visita ao Brasil.

Para Reisinger, com escritório em Viena, o mercado brasileiro é muito competitivo e difícil, mas grande e promissor. “Embora a economia esteja em desaceleração, se você olha sobretudo o potencial do mercado, é bom e muito orientado à inovação”, diz o executivo, destacando os jovens talentos.

A unidade local atende exclusivamente multinacionais e grandes organizações, inclusive bancos, com um total de 190 clientes no Brasil. Construiu uma infraestrutura com tecnologias baseadas em Ethernet, rede fixa por cabos DSL, 4G, rede privativa virtual em protocolo internet, satélite e 550 km de cabos submarinos. O último trecho da rede que chega ao cliente é por fibra óptica de parceiros como Embratel e Telefônica.

A Orange acompanha os clientes corporativos em todos os países onde eles atuam. “Do nosso ponto de vista, a economia [brasileira] foi realmente afetada, mas enquanto as multinacionais continuam a crescer, melhor para nós”, disse Mark Kenealy, vice-presidente sênior da Orange Business Services para Américas, sediado em Atlanta, nos EUA, também em visita ao Brasil.

“A economia está desacelerando, mas isso não é dramático. O Brasil tem sido e será um fator de estabilidade na economia da América Latina, apesar das oscilações, que não são tão pronunciadas, a não ser na área de petróleo, que causa impacto”, disse Reisinger. “Se você olhar em volta, há altos e baixos nos países o tempo todo. Na África também.”

Segundo Reisinger, com a população em crescimento e grandes necessidades de construção de infraestrutura, devido ao tamanho do território, o Brasil oferece potencial de negócios. “É por isso que o país atrai corporações globais, porque é um mercado promissor”, disse.

O executivo destaca que alguns dos clientes da companhia alcançam muito sucesso, independentemente do cenário macroeconômico, como os bancos, quase todos globais, e a Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves. Marcas como Heineken, Nespresso e a Agência Espacial Europeia (ESA) também estão na carteira da empresa francesa. Na opinião de Reisinger, o país está crescendo tão rápido quanto a Europa.

No Brasil, as projeções indicam que o PIB vai encolher negativa neste ano, enquanto na zona do euro espera-se crescimento de 1,5%.

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