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Hollande apoia iniciativas do Brasil e da Alemanha de combate à espionagem

By 16 de dezembro de 2013 No Comments

‘Queremos ser sócios na construção de uma nova ordem mundial’, disse Dilma a presidente francês

BRASÍLIA – O presidente da França, François Hollande, manifestou apoio nesta quinta-feira à iniciativa do Brasil e da Alemanha de combater a espionagem praticada pelos Estados Unidos em escala mundial. Ao lado de Dilma, no Palácio do Planalto, Hollande afirmou que essa iniciativa é importante tanto do ponto de vista da soberania dos países quanto das liberdades individuais. Dilma agradeceu à manifestação do colega.
– Queremos ser sócios na construção de uma nova ordem mundial, mais justa, mais igualitária e mais democrática. Nesse particular, quero agradecer de público o apoio do presidente Hollande às iniciativas brasileira e alemã nas Nações Unidas na defesa da privacidade na era digital – disse Dilma, que convidou a França a participar do encontro mundial sobre governança da internet que será realizado em São Paulo, em abril de 2014.
Com relação ao que chamou de defesa cibernética, o presidente da França disse que essa é uma área que requer políticas que vão além de uma reação imediata e pontual:
– (É necessário não só) que tenhamos reação firme, mas políticas para proteger nossos direitos – afirmou Hollande.

Doze acordos assinados
O encontro dos presidentes Dilma Rousseff e François Hollande teve a assinatura de 12 atos: acordos, memorandos, protocolos e declarações de intenções dos dois governos, bem como contratos entre empresas privadas de ambos os países.
Foi assinado o acordo para a concessão de vistos de até um ano, com direito a trabalhar, para jovens turistas, entre 18 e 30 anos, dos dois países. Essa era uma reivindicação da França e tem como público-alvo jovens mochileiros. Outro ato prevê o desenvolvimento de um supercomputador, com a instalação de dois centros de pesquisa em Petrópolis (RJ) e no Rio. Dilma destacou que o Brasil, com isso, ingressará no seleto grupo de dez países que contam com esse tipo de equipamento.
Dilma disse que, apesar da crise internacional, o comércio bilateral cresceu nos últimos cinco anos. Ela destacou a atuação de empresas francesas no Brasil, como a Total – que participa do consórcio para exploração de petróleo no Campo de Libra -, a Renault/Nissan – que expandiu a fábrica de Rezende, num investimento de R$ 6 bilhões – e o grupo Casino, na área de supermercados e alimentos, citado como o maior empregador no Brasil.
– Neste contexto, destaco a participação da Total no consórcio liderado pela Petrobras que explorará o campo de Libra, no pré-sal. Isso ilustra a opção, cada vez mais clara do empresariado francês e internacional de olhar a prosperidade de suas companhias ligadas ao dinamismo e ao rigor do mercado brasileiro – afirmou ela.
Dilma destacou ainda as parcerias entre os dois países na área de desenvolvimento tecnológico e de defesa, incluindo a construção de submarinos, de helicópteros e satélites. O contrato entre o consórcio da Telebras e Embraer com a francesa Thales foi assinado, bem como um ato similar relativo ao futuro lançamento do satélite ao espaço e um memorando de entendimento para transferência espacial. Estudantes brasileiros bolsistas do Ciência sem Fronteiras poderão fazer estágio em empresas francesas. Um outro ato estabelece parceria para a produção de energia nuclear. Segundo Hollande, o acordo tem como finalidade a construção da usina de Angra 3.
– A parceria entre a Areva (empresa francesa de energia nuclear) e a Eletrobras mostra a opção do Brasil por desenvolvimento de tecnologia de produção de energia com base nuclear – disse Dilma.
Os dois presidentes fizeram referência à situação na Síria e ao recente acordo firmado entre um grupo de países desenvolvidos e o Irã para controlar o programa nuclear iraniano. Hollande, nesse aspecto, realçou que o acordo celebrado com o Irã é um primeiro passo, mas não o definitivo para garantir que o governo iraniano abandonará o projeto de ter armas nucleares. Dilma, por sua vez, ressalvou o direito do Irã a desenvolver tecnologia para uso pacífico da energia nuclear.
– Sobre atuação no plano internacional ressaltamos a destruição do arsenal químico na Síria e a convocação da conferência de paz Genebra 2, com a participação das partes em conflito. O Brasil. que conta com uma descendência síria, continua apoiando esforços diplomáticos para por fim ao conflito, bem como a urgência em se fazer frente à crise humanitária que se abate sobre o país – disse Dilma.
A presidente disse que a França desempenha um importante papel nas negociações de um acordo com o Irã:
– Há uma expectativa do Brasil de que haja uma conclusão satisfatória de um acordo que atenda às preocupações da comunidade internacional e ao mesmo tempo respeite o direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear.
Depois dessa cerimônia, Hollande participou de encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta quinta-feira. Eles estiveram reunido por cerca de 40 minutos, na casa do embaixador da França no Brasil.
Lula seguiu para outro compromisso e Hollande foi para o Museu Nacional, onde participa da última solenidade prevista na agenda da visita oficial em Brasília. Ele irá se encontrar com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para assinar acordos na área da educação.
Visita a obras do Colégio Franco-Brasileiro
Pela manhã, Hollande visitou as obras da futura sede do Colégio Franco-Brasileiro de Brasília. Foi o primeiro compromisso oficial de Hollande no Brasil, onde ele fica até sexta-feira. Na ocasião, ao ser indagado sobre que quem vai ganhar a Copa do Mundo de 2014, Hollande evitou qualquer provocação aos brasileiros:
– Não posso dizer nada sobre esse assunto. É muito difícil – disse ele ao GLOBO.

http://oglobo.globo.com/pais/hollande-apoia-iniciativas-do-brasil-da-alemanha-de-combate-espionagem-11047052


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