Noticias

A REALIDADE DOS AMBIENTES VIRTUAIS

By 12 de fevereiro de 2014 No Comments

 A REALIDADE DOS AMBIENTES VIRTUAIS

Pesquisas desenvolvidas pelo LNCC avançam estudos no campo da realidade virtual, que possibilita treinamentos e capacitação em imersão total.
 
Com uma mão, o médico segura a seringa. Com a outra, tateia a coluna do paciente para identificar o espaço perfeito onde vai inserir a agulha entre as costelas. Para facilitar, transforma sua pele em uma mera cama transparente, através da qual é possível ver não só os ossos aonde forma a coluna vertebral, mas também o pulmão de onde será removido o líquido durante a punção pleural. Parece ficção científica, mas não é. Avanços no campo da realidade virtual já prometem mudanças significativas no modo como estudamos e praticamos habilidades e aptidões – e algumas delas nascem no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis.
 

 
O conceito de realidade virtual existe há pelo menos 40 anos, mas foram a tecnologias desenvolvidas nas ultimas décadas que possibilitaram progressos significativos – mesmo que as novidades venham até mesmo do mundo dos videogames. No LNCC uma balança utilizada no console Nintendo Wii para jogos que envolvem atividades físicas ganhou nova função. Colocada embaixo de um manequim para treinamento de ressuscitação em casos de parada cardiorrespiratória, a peça possibilita uma qualificação muito mais feliz, diagnosticando quando a técnica é aplicada na frequência, ângulo e com o peso correto – ou não.
 
“Essa plataforma utiliza quatro balanças, uma em casa extremidade. Com o software que desenvolvemos especialmente para essa aplicação, o sistema consegue indicar se a massagem cardíaca está sendo feita da melhor forma. Ele já foi testado, inclusive, por bombeiros, e um professor da Universidade de São Paulo (USP) faz o uso do software em sala de aula para treinar seus alunos”, conta o pesquisador responsável pelo Laboratório de Ambientes Colaborativos e Multimídia Aplicada (ACIMA) do LNCC, Jauvane de Oliveira.
 

 
Em breve, estudantes de medicina também poderão se beneficiar de outras pesquisas na área. Procedimentos como o de punção pleural ou uma videolaparoscopia já têm aplicações sendo testadas pelos profissionais da instituição, visando um aprendizado mias imersivo. É o caso do capacete desenvolvido pela então estudante Ellen Corrêa, que isola o campo de visão do usuário e o permite praticar, por meio de um manete semelhante ao dos videogames, todo o procedimento do exame. Outro software, aplicado a um equipamento de experiência tátil, treina a destreza do aluno em um exercício sensorial no abdome do paciente.

 

“A realidade virtual é uma grande aliada da medicina, pois traz muitas vantagens para os médicos em treinamento e capacitação”. Jauvane de Oliveira
 

 
“A realidade virtual é uma grande aliada da medicina, pois traz muitas vantagens para os médicos em treinamento e capacitação. Do mesmo modo que pilotos ganham experiência em um simulador de voo, é possível aumentar ou diminuir a complexidade dos casos e proporcionar uma vivência profissional homogênea para os médicos durante suas residências”, analisa o pesquisador. Outros trabalhos em andamento envolvem um atlas do corpo humano em três dimensões, além de um braço mecânico com uma caneta que permite simular uma variedade de ferramentas, do bisturi à espátula odontológica. Mas apesar de possibilitar uma gama de projetos ligados à medicina e saúde, a realidade virtual também se mostra uma das grandes apostas para áreas como defesa, petróleo e gás.
 
Uma de inovações mais promissoras está no “cave”, um pequeno ambiente que provoca a imersão total do indivíduo com telas em 3D nas paredes laterais, frontal,  no teto e no piso. Construído em uma estrutura de baixo custo no LNCC –  com canos de PVC, linha de nylon e até um cabo de vassoura -, o equipamento ganhou uma versão “mini”, que trás em uma caixa de cerca de oito quilos dois projetores, computador, conexões internas, filtro e um sistema de software.
 
Uma das simulações já realizadas pelo LNCC coloca o observador em uma plataforma de petróleo. Em breve, uma integração com outros sistemas táteis vai permitir tocar objetos e até interagir com eles. “Uma pessoa que vai trabalhar em uma plataforma petrolífera pode conhecê-la  em um ambiente virtual e, de acordo com a função que vai desempenhar, já sabe onde fica o controle de pressão ou estudar rotas de fuga em casos de emergência, por exemplo”, explica Jauvane.
 

 
As aplicações desenvolvidas por qualquer dos 13 atuais pesquisadores do LNCC podem resultar em protótipo que passa à aplicação na indústria. O próximo passo é uma parceria com a Petrobras, cujo futuro prédio da rede Galileu, nas proximidades do laboratório, vai estreitar a colaboração em demandas para o setor.  Avanços na simulação de cirurgias cada vez mais complexas com o desenvolvimento de um software que leva em conta fatores como pacientes diabéticos ou hipertensos também estão previstos para os próximos anos. O futuro já chegou!

Leave a Reply