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A batalha pelo emprego começa na rua

By 7 de março de 2013 No Comments

Luiz Felipe Silva, de 26 anos, sai de casa todos os dias, no bairro Jardim Salvador, em Petrópolis, às 6h20m. Seu turno na multinacional francesa Orange, localizada no Quitandinha, começa apenas às 8h, o que significa que ele leva uma hora e 40minutos para percorrer dez quilômetros. O motivo de tamanha demora não é somente a doença que o fez parar de crescer ao alcançar 98 centímetros de altura. A razão é que, apesar de ter contrariado as estatísticas e conseguido se colocar no mercado de trabalho, ele enfrenta grande dificuldade para conseguir se locomover num meio de transporte público.


Presidente da Associação Pró-Deficiente de Petrópolis, Marcelo Silveira conta que a entidade criou um banco de empregos há dez anos. O resultado é ótimo: conseguiu vagas para 1.012 portadores de deficiência. Porém, por causa da topografia da cidade e dos problemas de infraestrutura, eles sofrem para chegar aos locais de trabalho.


— A frota de ônibus de Petrópolis está 70% adaptada, mas, em ruas com ladeiras, por exemplo, a plataforma não chega à calçada. Isso sem contar com os buracos e a falta de rampas e sinais auditivos para deficientes visuais. Enquanto o deficiente é criança, a mãe o leva no colo. Depois disso, ele fica aprisionado em casa, muitas vezes sem estudar, porque nem as faculdades têm estrutura adequada. Além disso, são poucas as vagas para cargos importantes — diz Silveira.


Petrópolis tem 39 mil portadores de deficiência e algumas de suas companhias desenvolvem programas de inclusão. O diretor de recursos humanos da multinacional de tecnologia Orange, Jorge Paiva, lembra que, em 2008, a empresa procurou a Associação Pró-Deficiente com o intuito de contratar pessoas que apresentassem algum tipo de necessidade especial.


Foram selecionados 23 candidatos, que passaram por uma qualificação, coordenada em parceria com o Senai, por 13 meses. Depois desse processo, todos fizeram um segundo curso de três meses dentro da empresa, antes de serem distribuídos por diferentes setores.


— Atualmente, temos 12 portadores de deficiência no nosso quadro e estamos contratando mais oito. O mercado de trabalho, às vezes, sofre um apagão de pessoas capacitadas. Foi ótimo encontrar várias delas no processo iniciado com a associação — afirma Paiva.


Depois do programa de inclusão, a empresa fez uma série de modificações em seu prédio para se adaptar às necessidades de seus novos empregados. O imóvel ganhou elevadores, trincos mais baixos, banheiros e refeitório adaptados, plataformas e até mudanças na sala de rede. O analista de suporte Douglas Mattos, que tem 26 anos e sofreu uma paralisia cerebral, agradece. Ele lembra que chegou a sofrer acidentes em outras empresas nas quais trabalhou porque não eram adaptadas.


— Sempre gostei de Tecnologia de Informação e comecei a procurar emprego na área quando me tornei maior de idade. Durante quatro anos escutei respostas negativas e a justificativa de que o ambiente de trabalho não era adaptado. Eu me senti excluído até chegar aqui, na Orange — diz Mattos.
Na empresa desde 2008, Luiz Felipe Silva atua na área de recursos humanos, onde, além de desempenhar várias funções, participa dos processos de seleção de candidatos e fica de olho em parcerias para projetos esportivos.


— Já tive que deixar um emprego depois de dois meses porque simplesmente não conseguia chegar. Hoje, trabalho e jogo bocha nas horas vagas — conta ele.


Fonte: O Globo (Serra)

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